Hoje apetece-me a alma negra de quem se perde na solidão, hoje quero o frio putrefacto da calçada sem nome que esconde a promiscuidade das gentes sem rosto…Hoje apetece-me o soluçar do nó que arde na garganta gasta dos que nunca tem razão! Hoje apetece-me lugares vazios em lugar nenhum, com bafos bolorentos de fantasmas antigos…Hoje apetece-me o nada dos dias vazios, de vãos escuros de escadas que guardam tantos nadas que se lhes perde o rasto no primeiro degrau…Hoje apetece-me a dor fustigante da frustração! Hoje apetece-me a punição das almas penadas que deambulam sem rasto nem abrigo…Hoje quero o refugio dos poetas mortos porque o nada sentirem lhes arrancou a restea de luz que os mantinham vivos…Hoje escrevo para depositar na urna da alma as palavras que se destinam a lado nenhum…Há dias assim, de estágios vazios e as palavras colam-se sem nexo, apenas porque sim…